Guerra e poder no século XXI: arquitetura da tomada de decisões e legitimidade na política de guerra dos Estados Unidos
O caso do Irão num sistema internacional em transformação
DOI:
https://doi.org/10.46661/respublica.13443Palavras-chave:
Guerra contemporânea, Estados Unidos, Irão, tomada de decisões, custos da guerra, Estreito de Ormuz, multipolaridadeResumo
Este artigo examina o modelo contemporâneo de tomada de decisões bélicas nos Estados Unidos através do caso do conflito com o Irão e das suas implicações políticas, institucionais, económicas, geopolíticas e sociais. O estudo parte da premissa de que a guerra no século XXI já não pode ser entendida apenas como uma decisão militar ou presidencial, mas sim como um processo complexo de construção e manutenção da legitimidade, condicionado simultaneamente por fatores internos e externos. Ao longo do estudo, o artigo analisa a arquitetura fragmentada do sistema de tomada de decisões dos EUA, na qual convergem a autoridade executiva, as restrições legais decorrentes da Resolução sobre os Poderes de Guerra, o papel do Congresso, a influência do aparelho de segurança nacional, as pressões da opinião pública e a dinâmica das alianças internacionais. A análise demonstra que, embora o Poder Executivo mantenha ampla capacidade operacional para iniciar ações militares, a sustentabilidade política de um conflito depende da interação contínua entre a legitimidade interna, a coerência estratégica e as perceções públicas sobre os custos da guerra. O artigo examina também o papel da linguagem política e da construção narrativa em contextos de conflito. Defende que a legitimidade da guerra não é um recurso permanente, mas sim um trunfo político que deve ser continuamente reconstruído através de narrativas destinadas a justificar a intervenção, conter a erosão interna e preservar a coesão entre aliados estratégicos. Neste sentido, o discurso político não se limita a descrever a realidade do conflito; contribui ativamente para a sua estruturação. O estudo aborda também o papel dos aliados na arquitetura da tomada de decisões estratégicas, demonstrando que as alianças contemporâneas funcionam menos como mecanismos automáticos de obediência militar e mais como sistemas flexíveis para agregar decisões soberanas. O caso do conflito com o Irão revela tensões crescentes no seio do bloco ocidental, particularmente entre os Estados Unidos e certos aliados europeus, cujas perceções relativamente aos riscos, custos e objetivos do conflito nem sempre convergem plenamente.
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